Os Estados Unidos, com o presidente Joe Biden, planejam pôr em prática dois planos bem estruturados: um para investimentos em infraestrutura e outro, em capital humano. O primeiro reserva dinheiro para estradas, esgoto, telecomunicações e energia limpa. O segundo destina dinheiro principalmente para os investimentos em educação de crianças mais jovens e da primeira infância.

Esses planos nos fazem lembrar o grande impulsionador da economia: a produtividade. Geralmente, a produtividade representa o nível de produção por trabalhador ou por máquinas, ou seja, a capacidade de produção dos fatores por unidade de tempo. São chamadas de produtividades do trabalho e do capital. E por que falamos dos Estados Unidos no início deste artigo? Porque esses investimentos atacam diretamente as duas produtividades (capital e trabalho) e, por consequência, o crescimento econômico.

Agora, é interessante pensarmos como perdemos muito tempo no Brasil pensando no urgente e pouco no importante. Preocupamo-nos há décadas com inflação, câmbio e juros, que são variáveis basicamente de curto prazo, que apenas servem para ajustes de cenário e que não determinam o longo prazo. As políticas equivocadas, as decisões erradas e os erros de condução econômica sempre exigem esforços para ajustes de curto prazo nessas variáveis, que tomam energias e jogam para frente as decisões importantes de longo prazo.

Então, o que impede o crescimento da produtividade no Brasil? O inchaço de gastos no setor público em despesas operacionais, aumentando os déficits e impedindo o governo de investir em produtividade e educação, é um exemplo de problema que o Brasil deveria enfrentar. Não sobra dinheiro para investimento em educação e infraestrutura, que fomentariam o investimento.

Por outro lado, um sistema jurídico volátil, não confiável e que torna o ambiente de negócios muito hostil aos empresários, faz com que os estrangeiros fujam do Brasil com medo de mudanças legais que possam gerar problemas futuros, incluindo a perda dos investimentos. Neste tipo de recursos, os empresários podem investir em negócios que podem durar até 30 anos, como concessões de estradas, esgoto e aeroportos. É necessário que eles sintam que estejam resguardados com um sistema jurídico estável e justo.

Entretanto, este problema não vem de hoje – há décadas, políticas de ajuda a setores específicos com economia fechada, para proteger a indústria nacional, impediram a indústria de ser mais produtiva. Essa indústria se acomoda com proteções, sem investir em melhorias nem competir com o mercado internacional.

Tenho um exemplo anedótico aqui: um dia, fui a um curso de “como ter filhos”, antes de o meu nascer. Lá, o enfermeiro indicava uma marca nacional de pomadas para assaduras de crianças e dizia que as pomadas importadas eram bem melhores, mas muito caras, embora fossem muito baratas em outros países. Foi aí que pensei: a pomada importada é cara aqui por causa do imposto de importação, que tem como objetivo proteger a indústria nacional. E quem compra essa pomada são as pessoas mais pobres, dado que os mais ricos vão a Miami e compram as melhores lá, mais baratas. O resultado é claro, os mais pobres sustentam as indústrias nacionais, menos produtivas e com menor qualidade, e isso, no longo prazo, diminui a produtividade e prejudica ainda mais o crescimento e a renda dos mais pobres. Por outro lado, a empresa não precisa melhorar a qualidade, pois não tem necessidade de competir com outras de fora. Assim, mantemos este círculo vicioso terrível, principalmente para os menos abastados.

E se não bastasse isso, o governo investe pouco e mal, porque vem fazendo programas, principalmente a partir da última década, de ajuda a empresas ou gasta mal em custos operacionais – e não pode investir em educação –, tornando ainda pior e difícil a vida dos mais pobres, dado que os mais ricos vão a escolas privadas.

O Brasil precisa pensar em grandes reformas, incluindo Tributária e Administrativa, a fim de liberar recursos para investimento em produtividade. Contudo, isso não pode ser feito agora, em meio a uma pandemia, com outras prioridades. Reformas desidratadas, pela metade, sem tempo para discussão e a toque de caixa.

Precisamos de reformas amplas, começando pela abertura de nossa economia para o resto do mundo e passando pela melhoria do ambiente de negócios e pela eficiência nos gastos do governo e do sistema jurídico. Precisamos ter um plano de longo prazo, que leve tudo isso em consideração; só assim sairemos da armadilha da pobreza. O importante deve ser mais importante do que o urgente, para gerar oportunidades reais de uma vida melhor às pessoas menos favorecidas.

Esperamos que esse artigo tenha ajudado você. Conte sempre conosco!

Fonte: Contabeis

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